Vol8N3_2.0_05

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DE UNIVERSIDADES: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE BRASIL E VENEZUELA

Suzete Antonieta Lizote 

Doutorado em Administração e Turismo pela Universidade do Vale do Itajaí, Brasil.
Professor titular da Universidade do Vale do Itajaí, Brasil.
E-mail: lizote@univali.br

Carina Treml

Bacharel em Ciências Contábeis.

Evelin Maria dos Santos

Bacharel em Ciências Contábeis.

Karolliny Dutra dos Santos

Bacharel em Ciências Contábeis.

Lislaine Priscila Orsi de Godoy

Bacharel em Ciências Contábeis.

RESUMO

Nas últimas décadas tem se exigido das organizações uma postura responsável, o que reflete as mudanças que a própria sociedade vem sofrendo em relação a ideologias e valores, que incluem a proteção ao consumidor, a qualidade do ambiente, saúde e segurança, além das questões éticas e de sustentabilidade. Para ser sustentável, é preciso ter interação e harmonia nos três pilares da sustentabilidade: social, econômico e ambiental. Esta pesquisa foi realizada em duas universidades, sendo uma localizada na cidade de Itajaí/Brasil e a outra localizada em Maracaibo/Venezuela, tendo como objetivo geral identificar a sustentabilidade da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI e da Universidad Rafael Urdaneta - URU por meio da ferramenta gerencial SICOGEA. A tipologia deste trabalho foi pesquisa básica com abordagem quantitativa O instrumento de coleta de dados utilizado foi a lista de verificação SICOGEA, com perguntas fechadas, aplicados aos funcionários das respectivas universidades, responsáveis pelos setores analisados. Os resultados da pesquisa apontam que a UNIVALI tem um bom desenvolvimento ambiental o qual indica que além de atender a legislação, surgem alguns projetos e atitudes que buscam valorizar o meio ambiente e que a URU tem um desenvolvimento ambiental regular, pois atende somente a legislação.

Palavras-chave: Sustentabilidade; SICOGEA; Universidades.

SUSTAINABLE DEVELOPMENT OF UNIVERSITIES: A COMPARATIVE STUDY BETWEEN BRAZIL AND VENEZUELA

In recent decades, organizations have been required to take a responsible stance, which reflects the changes that society itself has undergone in relation to ideologies and values, which include consumer protection, environmental quality, health and safety, as well as ethical issues And sustainability. To be sustainable, it is necessary to have interaction and harmony in the three pillars of sustainability: social, economic and environmental. This research was carried out in two universities, one located in the city of Itajaí / Brazil and the other located in Maracaibo / Venezuela, with the general objective of identifying the sustainability of the University of Vale do Itajaí - UNIVALI and Universidade Rafael Urdaneta - URU. Of the SICOGEA management tool. The typology of this work was basic research with quantitative approach The data collection instrument used was the SICOGEA checklist, with closed questions, applied to the employees of the respective universities, responsible for the sectors analyzed. The results of the research indicate that UNIVALI has a good environmental development which indicates that besides complying with the legislation, there are some projects and attitudes that seek to value the environment and that the URU has a regular environmental development, as it meets only the legislation.

Keywords: Sustainability; SICOGEA; Universities.

DESARROLLO SOSTENIBLE DE UNIVERSIDADES: un estudio comparativo entre BRASIL Y VENEZUELA

En las últimas décadas se ha requerido organizaciones posición responsable, lo que refleja los cambios que ha sufrido la sociedad misma en relación con las ideologías y valores, que incluyen la protección de los consumidores, la calidad del medio ambiente, la salud y la seguridad, además de las cuestiones éticas y de sostenibilidad. Para que sea sostenible, tenemos que tener la interacción y la armonía en los tres pilares de la sostenibilidad: social, económico y ambiental. Esta investigación se realizó en dos universidades, una ubicada en la ciudad de Itajaí / Brasil y el otro situado en Maracaibo / Venezuela con el objetivo general para identificar la sostenibilidad de la Universidad de Vale do Itajaí - UNIVALI y la Universidad Rafael Urdaneta - URU través la herramienta de gestión SICOGEA. La tipología de este trabajo fue la investigación básica con un enfoque cuantitativo El instrumento de recolección de datos utilizada fue la lista de verificación SICOGEA, con preguntas cerradas, aplicado a los funcionarios de las universidades respectivas, responsables de los sectores analizados. Los resultados del estudio indican que UNIVALI tiene un buen desarrollo ambiental que indica que además de cumplir con la legislación, existen algunos proyectos y acciones encaminados a mejorar el medio ambiente y la URU tiene un desarrollo normal del medio ambiente, ya que sólo sirve legislación.

Palabras clave: sostenibilidad; SICOGEA; Universidades.

1 INTRODUÇÃO

Sempre que a responsabilidade social é exercida, o objetivo principal para a organização é aumentar a sua contribuição para o desenvolvimento sustentável e o bem-estar da sociedade. Segundo Ysunza; Breña e Molina (2010), para ter este comportamento a empresa deve ser regida por regras, diretrizes ou regras coerentes com os princípios aceitos de boa conduta para diferentes cenários ou situações. Estes princípios éticos são considerados como a base fundamental para o comportamento e tomada de decisão na organização.

A adoção de programas ambientais foi decorrente do crescimento da preocupação global com o meio ambiente e o desenvolvimento de padrões ambientais internacionais. Desta forma, os gastos com proteção ambiental, que antes eram vistos como custos, transformaram-se em investimentos e vantagem competitiva. Herckert (2005) comenta que as empresas começam a mudar sua forma de ação, apresentando alternativas para obter o desenvolvimento sustentável e ao mesmo tempo aumentar seus lucros.

Este novo cenário fez o comportamento ambiental das organizações tornar-se proativo e, as estratégias empresariais passaram a considerar o meio ambiente através da implementação de um sistema de gestão ambiental. Tinoco e Kraemer (2004) destacam que a gestão ambiental consiste em um conjunto de medidas que visam ao controle do impacto ambiental provocado por certas atividades e à diminuição ou eliminação dos seus efeitos negativos no ambiente.

A partir da década de 90, os gestores das organizações, em decorrência da incontrolável degradação da natureza e do agravamento dos problemas sentiram a necessidade de mudar suas estratégias empresariais, no sentido de agregar aos seus processos a variante ecológica. Deste modo, as questões ambientais começaram a influenciar diretamente nas decisões.

Diante desta nova realidade, em que os gestores necessitam de informações financeiras sobre o meio ambiente, surge a contabilidade ambiental. Ela tem o propósito de abordar assuntos ligados ao meio ambiente no que tange aos aspectos econômico-financeiros. Para Ribeiro (2006), a contabilidade ambiental tem a finalidade de mensurar e registrar eventos e transações relacionados com a proteção, preservação e recuperação do meio ambiente e suas repercussões nas atividades econômicas. Nunes (2010), por sua vez salienta que ela tem o objetivo de registrar as operações das empresas que interferem no meio ambiente e as suas consequências sobre a posição econômica e financeira das empresas.

Pinto (2012) esclarece o acordo entre o setor do ensino superior e a sociedade: instituições transformam os alunos em graduados que assumem responsabilidades na sociedade. O papel dessas instituições de ensino superior (IES) na formação de uma sociedade melhor é notório. O ensino superior tem um potencial único para catalisar e / ou acelerar a transição da sociedade em direção à sustentabilidade e responsabilidade social. Neste sentido, esta pesquisa buscou resposta ao seguinte questionamento: Como se encontra a sustentabilidade da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI – localizada na cidade de Itajaí/Brasil e da Universidad Rafael Urdaneta - URU – localizada em Maracaibo/Venezuela? Para responder a pergunta de pesquisa foi definido como objetivo geral: Identificar a sustentabilidade da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI e da Universidad Rafael Urdaneta - URU por meio da ferramenta gerencial SICOGEA.

A pesquisa se justifica devido a sustentabilidade ser um assunto bastante discutido atualmente, existindo inúmeros questionamentos em como aderir e tomar medidas para se enquadrar. Para a comunidade acadêmica é uma oportunidade de colocar em prática as teorias aprendidas, assim como servir como fonte de pesquisas futuras.

O artigo está organizado em 6 seções, iniciando com a introdução; a segunda apresenta a síntese da discussão teórica sobre o tema; a metodologia é apresentada na seção seguinte; os resultados e as análises dos dados estão evidenciadas na seção 4; na sequência apresenta-se as considerações finais bem como sugestões para futuros trabalhos e a última traz as referências utilizadas.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Nesta seção apresenta-se o marco teórico definido como necessário à compreensão do tema estudado. Para tanto, se abordam os seguintes tópicos: desenvolvimento sustentável, sustentabilidade nas Instituições de Ensino Superior e SICOGEA.

2.1 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

No final dos anos 1960 ocorreram crises ambientais e sociais de grande dimensão, com o alto crescimento e desenvolvimento econômico causado pela Revolução Industrial, atingindo principalmente os países desenvolvidos, gerando grandes mudanças econômicas.

Apesar de muitos países estarem em processo de economia relevante, o nível de pobreza não recuava, resultando em desigualdade social entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos, neste sentido começou a surgir homens conscientes, inseridos em uma sociedade comunitária, vivendo em harmonia com os demais (DIAS, 2007).

Nessa época a palavra sustentável e sustentabilidade foram agregadas à palavra desenvolvimento. A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo em 1972, foi de grande importância para o surgimento do desenvolvimento sustentável. Segundo Barbieri e Cajazeira (2012, p. 63) “Uma das suas principais contribuições foi vincular a questão ambiental à social e, desse modo, também é um marco na aproximação com o movimento da responsabilidade social.”

No passado as empresas eram resistentes às propostas e ao cumprimento das leis ambientais, a expressão desenvolvimento sustentável só ganhou forças com o trabalho da CMMAD, conhecida como Comissão Brundtland, criada em 1983 pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) (BARBIERI; SIMANTOB, 2007).

Em 1987 a Comissão Brundtland divulgou um relatório que ficou conhecido no Brasil como Nosso Futuro Comum, definindo o conceito de desenvolvimento sustentável. Definição que foi aprovada na Conferência do Rio de Janeiro em 1992, pela Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), onde foi criada a Agenda 21, que trata os segmentos da sociedade separadamente, pois não devemos entender apenas a dimensão global. O desenvolvimento sustentável tornou-se um direito da sociedade e passou a ser usado por quase todo o mundo e organizações (BARBIERI; SIMANTOB, 2007).

Junto ao aspecto de crescimento nasceu a diversidade na relação do homem com o meio ambiente, surgindo a importância do agravamento do modelo de crescimento desta época e a probabilidade dos recursos naturais se esgotarem. Um pouco mais tarde este conceito começou a ganhar força, amparado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e outras organizações internacionais, juntas firmaram um acordo para estabelecer uma cooperação científica internacional para realização de um plano de utilização racional dos recursos naturais (DIAS, 2007).

No Brasil, a partir da Constituição Federal de 1988 a acessibilidade se tornou um direito solidificado, regulamentado pela Norma Brasileira 9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT/NBR, 2004), que garante o direito à cidadania e à dignidade da pessoa humana. A prática adotada para resolução do problema foi à inclusão social, que teve início a cerca de dez anos, a mesma consiste na adequação em seus sistemas sociais.

Atualmente muito se tem discutido sobre o tema desenvolvimento sustentável, devido à escassez de recursos naturais, causados por diversos problemas ambientais ao longo dos anos, tais como: a poluição dos rios e oceanos, aquecimento global e também por problemas sociais diversos como a pobreza e a violência.

Muitos problemas socioambientais foram produzidos ou estimulados pelas atividades das empresas, e para contornar esse problema duas estratégias foram construídas, uma delas responde ao lema: pensar globalmente e agir localmente. Na primeira estratégia a empresa deve ter iniciativa e não esperar por leis para começar a agir, e a outra estratégia foi subdividir o desenvolvimento sustentável em dimensões (BARBIERI; CAJAZEIRA, 2012).

A proposta inicial considerava as seguintes dimensões da sustentabilidade, conforme Barbieri e Cajazeira (2012):

  1. Sustentabilidade social: busca promover a igualdade na distribuição dos bens e da renda, para melhorar a qualidade de vida das pessoas e reduzir as diferenças entre os padrões de vida;
  2. Sustentabilidade econômica: permite a alocação e a gestão eficiente dos recursos produtivos de forma contínua;
  3. Sustentabilidade ecológica: são ações que evitem os danos ao meio ambiente causados pelos processos produtivos, substituindo o consumo de recursos não renováveis por recursos renováveis.
  4. Sustentabilidade espacial: equilíbrio entre o rural e o urbano, desconcentrar as metrópoles com a adoção de práticas agrícolas inteligentes e que não agridam o meio ambiente;
  5. Sustentabilidade cultural: é respeitar os valores entre os povos e as especificidades locais.

Posteriormente foram acrescentadas as dimensões política e institucional, essas dimensões compõem o desenvolvimento sustentável, que de acordo com a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) (1991, p. 46) “[...] é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades”.

Seiffert (2007) complementa que para alguns é obter o crescimento econômico contínuo por meio de um equilíbrio dos recursos naturais e de tecnologias eficientes e menos poluentes. Para outros, é um projeto social e político para erradicar a pobreza, melhorar a qualidade de vida e satisfazer às necessidades básicas da humanidade.

De acordo com os conceitos citados, Seifert (2007) destaca a existência de três dimensões primordiais de desenvolvimento sustentável:

  1. desenvolvimento social: criação de um processo de desenvolvimento sustentado por uma civilização com maior equidade na distribuição de renda, de modo a reduzir a distância entre o padrão de vida dos abastados e o dos não abastados.
  2. desenvolvimento econômico: é a alocação e gestão eficientes de recursos, e a empresa passa a produzir mais com menos recursos, moderniza seus equipamentos e equilibra seus pagamentos; e;
  3. desenvolvimento ambiental: é a necessidade do uso dos recursos para propósitos válidos, como: limitação do consumo de materiais, redução do volume de resíduos e de poluição, utilização mais eficiente de recursos naturais. Desta forma a empresa deve pesquisar tecnologias mais eficientes, de baixo custo e menos poluidoras, para não gerar desperdícios, respeitando a capacidade de renovação dos recursos.

A sustentabilidade é de suma importância para a sociedade contemporânea, devido ao aumento da escassez de recursos naturais, sendo assim quanto mais sustentável for, mais recursos têm-se em longo prazo, não pensando apenas no presente, mantêm-se uma qualidade de vida para as próximas gerações.

Barbieri e Simantob (2007, p. 92) ressaltam que “Quando se fala em melhorar a qualidade de vida de todos, respeitando a capacidade do planeta de fornecer os meios para isso, está se falando de desenvolvimento sustentável”.

Com a crescente relevância do tema, discutido em todas as mídias, a sociedade tem tomado consciência e as empresas estão cada vez mais voltadas a ter atitudes sustentáveis, como por exemplo, a utilização de sacolas ou caixas de papel no lugar das sacolas plásticas. Empresas ou governos que adotam políticas de desenvolvimento sustentável é uma referência para a sociedade em geral, pois além de garantir um meio ambiente mais preservado desfrutam de um crescimento econômico mais consciente.

Como exposto por Barbieri et al (2010, p. 153), “[...] desenvolvimento sustentável é um dos movimentos mais importantes do nosso tempo, e, a julgar pela vitalidade dos fatores institucionais presentes em praticamente todo o mundo, pode se inferir que ele continuará se propagando por muitas décadas.”

“Ou seja para ser competitivo no mercado é fundamental ser sustentável e para ser sustentável além de ter eficiência econômica, é necessário atentar para a questão ambiental e a contribuição social, que formam o tripé da sustentabilidade” (SEBRAE, 2013, p. 86).

Neste sentido, ações voltadas para conscientização, preservação, manutenção do meio ambiente são de responsabilidade de cada um e devem ser contínuas.

2.2 SUSTENTABILIDADE NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR

De todas as organizações, é visível a importância das instituições de ensino para a criação de um modelo de gestão sustentável. Esta questão está envolvida principalmente pelo fato da instituição ser referência para as demais empresas e acadêmicos, os quais estão diretamente ligados ao mundo globalizado e aos aspectos da sustentabilidade. Uma organização sustentável segundo Barbieri e Cajazeira (2012, p. 67) “[...] busca alcançar seus objetivos atendendo, simultaneamente, os seguintes critérios: equidade social, prudência ecológica e eficiência econômica”.

O movimento sustentável inicia-se no ambiente interno, gerando uma nova cultura organizacional, onde os princípios e práticas sustentáveis são disseminados, estimulando a aplicabilidade no ambiente externo.

Para esta prática se tornar realidade é necessário que haja uma reformulação nos princípios adotados, priorizando o reconhecimento da gestão do ambiente, fator que será dominante no desenvolvimento sustentável. As políticas, programas e procedimentos devem ser estabelecidos e integrados como elementos essenciais de gestão e devem ser atualizados continuamente levando em consideração o desenvolvimento técnico, o conhecimento científico e as solicitações e expectativas dos consumidores, sempre de acordo com a regulamentação atual (DIAS, 2007).

A responsabilidade social é o meio que a organização utiliza para alcançar o desenvolvimento sustentável, seguindo as dimensões da sustentabilidade econômica, social e ambiental, conforme Figura 01:

Figura 01 - Dimensões da sustentabilidade organizacional.
Fonte: Barbieri e Cajazeira (2012, p. 68).

Para os referidos autores, isso significa que ao mesmo tempo em que a organização protege, sustenta e aumenta os seus recursos humanos e naturais, adota estratégias de negócios para suprir as necessidades das empresas e de seus stakeholders.

Devido à pressão da legislação ambiental, as entidades realizaram ações para se enquadrarem, porém, muitas se mobilizaram espontaneamente criando estratégias para reduzir a poluição dos rios com sistemas de tratamento de poluentes, a quantidade de materiais e energia, substituir a utilização de recursos não renováveis e também a adoção de programas de qualidade.

2.3 SISTEMA CONTÁBIL GERENCIAL AMBIENTAL (SICOGEA)

O SICOGEA é uma ferramenta de gestão contábil, que foi desenvolvida em 2004 pela Profª. Dra. Elisete Dahmer Pfitscher, em sua tese de doutorado. A autora destaca que ele é um processo complexo e busca a conscientização dos gestores para a preservação do meio ambiente, diminuindo os impactos nocivos e aumentando a probabilidade de sustentabilidade das empresas. Ele divide-se em integração da cadeia produtiva, gestão e controle ecológico, gestão da contabilidade e controladoria ambiental. Sendo que essas etapas se subdividem em vários outros processos.

Segundo Nunes (2010, p. 156), “é uma ferramenta de gestão ambiental, que une contabilidade por meio de controles, trabalhando com fatores ambientais, econômicos e sociais, gerando informações aos gestores, buscando melhorar a atuação das atividades das entidades sob o meio ambiente”.

A aplicação do SICOGEA pode proporcionar possíveis propostas de soluções para as atividades com baixo índice de sustentabilidade ambiental. Para Baldissera et al (2008), após a aplicação do SICOGEA, os gestores podem planejar e desenvolver métodos que tornem o processo produtivo mais eficaz em relação à gestão ambiental.

3 METODOLOGIA

O método em pesquisa científica, segundo Richardson (1989), significa a escolha de procedimentos sistemáticos para a descrição e explicação dos fenômenos. A trajetória metodológica deste estudo dividiu-se em três fases: a revisão teórica; o levantamento da gestão ambiental atual das IES, aplicação da lista de verificação SICOGEA; e por último a análise de sustentabilidade.

Trata-se de uma pesquisa básica que, conforme Roesch (2005, p. 58) “Na Pesquisa Básica, o propósito é entender como o mundo opera; procura-se basicamente entender e explicar os fenômenos.” (grifos do autor).

A pesquisa caracterizou-se em nível descritivo por estudar uma determinada população. Segundo Gil (2008, p. 28) “As pesquisas desse tipo têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis”.

Quanto ao delineamento da pesquisa, a coleta de dados foi realizada através de um levantamento, que busca informação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Roesch (2005) enfatiza que mais e mais se observa a utilização de levantamentos com funcionários, clientes e fornecedores para alimentar o processo de decisão estratégica a respeito do produto ou serviço. Assim sendo, este estudo realizou-se em duas instituições de ensino superior, com verificação in loco.

Em relação à natureza da pesquisa, teve uma abordagem quantitativa que caracteriza em números as opiniões e informações para classificá-las e analisá-las. Segundo Roesch (2005) a pesquisa quantitativa enfatiza a utilização de dados padronizados que permitem ao pesquisador elaborar sumários e comparações, por isso, a análise de dados é apoiada no uso de estatísticas.

Para a realização da análise de sustentabilidade foi realizada uma verificação in loco, no mês de julho de 2016, com aplicação da lista de verificação proposta pela ferramenta gerencial SICOGEA, a qual foi adaptada para as universidades analisadas. Ela é composta por 76 questões e dividida em 6 critérios: fornecedores/compras; ecoeficiência do processo de prestação de serviço; prestação do serviço – atendimento ao acadêmico; responsabilidade social na instituição; gestão estratégica da instituição e indicadores gerenciais. Os respondentes foram os funcionários responsáveis por cada um dos setores analisados.

4 RESULTADOS E ANÁLISE DOS DADOS

Neste item será apresentado um breve histórico das universidades pesquisadas e em seguida o resultado e análise dos dados obtidos com a aplicação parcial da lista de verificação SICOGEA.

4.1 HISTÓRICOS DAS UNIVERSIDADES

4.1.1 Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI)

Fundada em 1964, passou a ser reconhecida como Universidade em 1989, hoje é formada por seis campi localizados nas cidades de Itajaí, Balneário Camboriú, Tijucas, Biguaçu, São José e Florianópolis. A universidade é mantida pela Fundação Univali, que foi instituída pelo poder público municipal sem fins lucrativos. Tornou-se vetor decisivo de desenvolvimento e progresso regional, assumindo desta forma, o desafio de elevar os padrões de qualidade no ensino, na pesquisa e na extensão, em prol da produção e socialização do conhecimento.

4.1.2 Universidad Rafael Urdaneta (URU)

É uma instituição privada sem fins lucrativos instituída oficialmente pelo Decreto Executivo nº 101 de 21 de maio de 1974, emitido pela Presidência da República, após parecer favorável do Conselho Nacional de Universidades. As atividades de ensino iniciaram em 4 de Setembro de 1976. Desde a sua fundação tomou uma concepção antropocêntrica com base em pesquisa aplicada. É uma instituição autônoma nos termos definidos na Constituição e na Lei sobre as Universidades. Até 2002 localizou-se no campus no noroeste da cidade de Maracaibo - Venezuela, depois mudou sua sede para o centro da cidade.

4.2 ANÁLISE DA SUSTENTABILIDADE

Neste item serão analisados os critérios conforme foram evidenciados na metodologia. Com a aplicação da lista de verificação, obtiveram-se respostas que variaram da escala 0 até 5, conforme a Tabela 01:

Tabela 01.
Escala de Respostas.

Fonte: Adaptado de Nunes (2010)

Para cada questão também foi atribuído um peso específico, que variou entre 1 e 3, em função da sua relevância nos quesitos impacto ambiental, responsabilidade social e influência da organização. Esta atribuição ficou a critério das pesquisadoras.

Existem algumas respostas Inversa(S), que devem ser preenchidas com “S“ sempre que for considerada inversa para efeito de cálculo do índice de sustentabilidade. Exemplo: “A prestação de serviço demanda um alto consumo de energia?“ A resposta deve ser considerada inversa, ou seja, se for respondido que o consumo de energia da empresa pesquisada é enquadrado como máximo (100%) na escala, significa que para efeito de cálculo do grau de sustentabilidade deveria ser considerado 0%. Se a resposta for 80%, será considerado apenas 20% no cálculo da sustentabilidade. A planilha faz o enquadramento automático quando se assinala com “S“ na coluna. Para o cálculo da análise de sustentabilidade ambiental utilizou-se a seguinte fórmula, adaptada de Nunes (2010): (total de pontos obtidos / total de pontos possíveis) x 100.

Após o cálculo, realizou-se a avaliação da sustentabilidade da empresa, com base no Quadro 01.

Quadro 01.
Índices de desempenho ambiental.

Fonte: Adaptado de Lerípio (2001), Pfitscher (2004) e Nunes (2010).

4.2.1 Critério 1 – Fornecedores/Compras

Os fornecedores são parceiros estratégicos das organizações, estas procuram melhores preços e condições de pagamento, porém é crescente a exigência por fornecedores com certificações ISO e comprometidos com a sustentabilidade. No Quadro 02 apresenta-se os resultados obtidos neste critério.

Quadro 02.
Fornecedores/compras.

CRITÉRIO 1 – FORNECEDORES/COMPRAS

Inversa (S)

Pontos Possíveis

Escore

Obtido

UNIVALI

URU

Sustentabilidade

Escore

Sustentabilidade

Resultado

Avaliação

Obtido

Resultado

Avaliação

1

Os fornecedores possuem monopólio no mercado?

S

1

0%

100,0%

Ótimo

0%

100,0%

Ótimo

2

Os fornecedores estão comprometidos com o meio ambiente?

 

1

80%

80,0%

Bom

80%

80,0%

Bom

3

Os fornecedores apresentam alternativas para o tratamento de resíduos?

 

1

80%

80,0%

Bom

40%

40,0%

Fraco

4

Os produtos eletro-eletrônicos são comprados pela EFICIÊNCIA energética? (Ar-condicionado, lâmpadas, eletrônicos, etc)

 

3

100%

100,0%

Ótimo

60%

60,0%

Regular

5

Os fornecedores dão garantia de qualidade?

 

3

100%

100,0%

Ótimo

100%

100,0%

Ótimo

6

Os fornecedores dão garantia de segurança?

 

3

80%

80,0%

Bom

80%

80,0%

Bom

7

As compras da instituição incluem produtos/serviços recicláveis?

 

3

80%

80,0%

Bom

60%

60,0%

Regular

8

Os fornecedores se obrigam a reciclar os seus produtos usados?

 

3

40%

40,0%

Fraco

20%

20,0%

Péssimo

 

Sub-total

 

18

225%

81,1%

Ótimo

225%

65,6%

Bom

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Observa-se no Quadro 02 na avaliação da Univali um resultado geral ótimo para este critério. Porém, destaca-se a questão 8 que obteve o pior resultado, tanto para Univali quanto para a URU, demonstrando que apesar das universidades se preocuparem com a sustentabilidade, seus fornecedores ainda estão se adequando em alguns pontos.

Aponta-se a questão 4 com resultado regular para a URU, sendo necessário que a universidade adote novos procedimentos em suas compras, objetivando a escolha de produtos mais eficientes, que consumam menos energia.

4.2.2 Critério 2 - Ecoeficiência do Processo de Prestação de Serviço

A sustentabilidade na ecoeficiência do processo de prestação de serviço é o critério com a maior quantidade de questões peso 3, ou seja, com um maior potencial ambiental, conforme Quadro 03. Com esse critério é possível avaliar quais são os impactos com relação ao consumo de água, de energia, a destinação e tratamento de resíduos, decorridos da prestação de serviço.

Quadro 03.
Ecoeficiência do processo de prestação de serviço.

CRITÉRIO 2 – ECOEFICIÊNCIA DO PROCESSO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS

 

 

Pontos Possíveis

Escore

Obtido

UNIVALI

URU

Sustentabilidade

Escore

Sustentabilidade

Resultado

Avaliação

Obtido

Resultado

Avaliação

9

A prestação de serviço realizada pela instituição gera impactos ambientais significativos?

S

3

40%

60,0%

Regular

20%

80,0%

Bom

10

A prestação de serviço demanda um alto consumo de energia?

S

3

80%

20,0%

Péssimo

80%

20,0%

Péssimo

11

A prestação de serviço demanda um alto consumo de água?

S

3

40%

60,0%

Regular

20%

80,0%

Bom

12

A instituição atende as normas relativas à saúde e segurança dos colaboradores internos e externos?

 

3

80%

80,0%

Bom

60%

60,0%

Regular

13

Existe na instituição, um manual de segurança interna, que acompanha o processo de prestação de serviços?

 

1

80%

80,0%

Bom

60%

60,0%

Regular

14

Existe geração de resíduos durante a prestação de serviços?

S

3

40%

60,0%

Regular

40%

60,0%

Regular

15

Os resíduos gerados são reaproveitados na instituição? (móveis, construção civil, elétricos, papel, etc)

 

3

60%

60,0%

Regular

80%

80,0%

Bom

16

Os resíduos são vendidos?

 

1

0%

0,0%

Péssimo

0%

0,0%

Péssimo

17

Existe tratamento do esgoto da instituição?

 

3

100%

100,0%

Ótimo

100%

100,0%

Ótimo

18

Existe coleta seletiva do lixo da instituição?

 

3

100%

100,0%

Ótimo

100%

100,0%

Ótimo

19

Existe tratamento do lixo da instituição?

 

3

0%

0,0%

Péssimo

0%

0,0%

Péssimo

20

Existe algum aproveitamento do lixo da instituição, no todo ou em parte?

 

3

0%

0,0%

Péssimo

0%

0,0%

Péssimo

21

É dado destino adequado aos resíduos que não podem ser reaproveitados, reciclados ou simplesmente descartados?

 

3

80%

80,0%

Bom

40%

40,0%

Fraco

22

A instituição avalia o impacto da prestação de serviços sobre o meio ambiente da sua região?

 

3

60%

60,0%

Regular

20%

20,0%

Péssimo

23

Existe na instituição órgão próprio para discussão, sugestões ou encaminhamentos relativos ao meio ambiente?

 

2

60%

60,0%

Regular

40%

40,0%

Fraco

24

Os padrões legais referentes à prestação de serviços são integralmente atendidos?

 

3

80%

80,0%

Bom

80%

80,0%

Bom

25

Existe algum tipo de reaproveitamento de papel e outros no processo de prestação de serviços?

 

3

80%

80,0%

Bom

80%

80,0%

Bom

26

Existe na instituição um plano de prevenção em caso de incidente grave?

 

1

100%

100,0%

Ótimo

80%

80,0%

Bom

27

As normas de segurança e meio ambiente são rigorosamente respeitadas pelos funcionários?

 

3

80%

80,0%

Bom

40%

40,0%

Fraco

28

Existe algum reaproveitamento de água na instituição?

 

3

40%

40,0%

Fraco

0%

0,0%

Péssimo

29

Há ações por parte da instituição para amenizar a poluição sonora?

 

3

0%

0,0%

Péssimo

0%

0,0%

Péssimo

30

Existem políticas para a compra de produtos com maior eficiência energética e menor impacto ambiental?

 

3

40%

40,0%

Fraco

20%

20,0%

Péssimo

31

O plano diretor ou projetos da instituição tem preocupação com a preservação ambiental? (Ocupação do solo, materiais, aproveitamento da água das chuvas, etc.)

 

3

40%

40,0%

Fraco

40%

40,0%

Fraco

32

Existem ações para amenizar os impactos ambientais relativos ao acúmulo de pessoas e de veículos em uma região?

 

3

0%

0,0%

Péssimo

0%

0,0%

Péssimo

33

Existem medidas compensatórias aos impactos gerados?

 

3

NA

0,0%

-

NA

0,0%

-

 

Sub-total

 

65

271%

52,6%

Regular

271%

44,9%

Regular

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Conforme o Quadro 03 ao contrário do que era esperado, ambas universidades tiveram seu resultado geral regular, sendo que esse foi o critério com avaliação mais baixa da Univali. Verifica-se que as questões relacionadas ao consumo de energia, destinação e tratamento de resíduos e a reutilização de água foram avaliadas com desempenho fraco e péssimo.

Sugere-se assim que as universidades deveriam reaproveitar a água da chuva para limpeza de todas as áreas da instituição, desde sanitários até regar o jardim, principalmente para a Univali que possui uma alta demanda de consumo de água.

Apesar dos resíduos serem descartados corretamente, as universidades poderiam utilizar meios para tratar e reaproveitar esse lixo corretamente ou vendê-los para empresas de reciclagem.

Para que a questão 10 aumente sua avaliação as universidades deveriam criar políticas para compra, conforme questão 30, com isso o alto consumo de energia seria reduzido, causando menos impacto ambiental e reduzindo despesas desnecessárias.

Com relação aos impactos ambientais descritos na questão 32, ambas universidades obtiveram um péssimo resultado. Devido ao número de acadêmicos, há uma grande concentração de pessoas e veículos, seria interessante tentarem recorrer ao poder público, pois quem sabe melhorando o transporte público, os carros seriam deixados em casa.

4.2.3 Critério 3 - Prestação de Serviço – Atendimento ao Acadêmico

A prestação de serviço e atendimento aos acadêmicos é o principal objetivo das instituições de ensino, visando a qualidade no atendimento e no ensino, com professores qualificados e estrutura física adequada as necessidades de cada curso oferecido. No Quadro 04 consta os resultados deste critério.

Quadro 04.
Prestação de serviço – atendimento ao acadêmico.

CRITÉRIO 3 – PRESTAÇÃO DO SERVIÇO - ATENDIMENTO AO ACADÊMICO

Pontos Possíveis

Escore

Obtido

UNIVALI

URU

Sustentabilidade

Escore

Sustentabilidade

Resultado

Avaliação

Obtido

Resultado

Avaliação

34

Há organização e boas condições no local para o atendimento acadêmico.

1

80%

80,0%

Bom

60%

60,0%

Regular

35

Existem condições institucionais de adequação das políticas de acesso, seleção e permanência de estudantes e relação com as políticas públicas e com o contexto social.

1

80%

80,0%

Bom

60%

60,0%

Regular

36

As salas de aula são arejadas e apropriadas a atividade de ensino?

1

80%

80,0%

Bom

60%

60,0%

Regular

37

Os laboratórios de ensino/pesquisa são arejados e apropriados?

1

80%

80,0%

Bom

60%

60,0%

Regular

38

A acessibilidade aos portadores de deficiência física nas instalações é adequada?

1

80%

80,0%

Bom

60%

60,0%

Regular

39

Existem banheiros apropriados para portadores de deficiências físicas?

1

100%

100,0%

Ótimo

80%

80,0%

Bom

40

Há instalações gerais para o ensino, para a pesquisa, para a prática de esportes, atividades culturais e de lazer, espaços de convivência, e para laboratórios didáticos e de pesquisa em quantidade e qualidade adequadas?

1

100%

100,0%

Ótimo

100%

100,0%

Ótimo

41

Há coerência das políticas de atendimento aos discentes com o estabelecido em documentos oficiais. (coerência com o PDI)

1

80%

80,0%

Bom

80%

80,0%

Bom

42

Há programas de apoio ao desenvolvimento acadêmico dos discentes referentes à realização de eventos?

1

100%

100,0%

Ótimo

40%

40,0%

Fraco

43

Existe a representatividade nos colegiados, sua independência e autonomia na relação com a mantenedora, e a participação dos segmentos da comunidade universitária nos processos decisórios?

1

80%

80,0%

Bom

80%

80,0%

Bom

44

O campus apresenta espaço adequado (quantidade e qualidade) de apoio como: cantina, xerox, agências bancárias, livraria, e outros serviços necessários?

1

80%

80,0%

Bom

40%

40,0%

Fraco

45

A condição estética do campus transparece o cuidado com o meio ambiente interno (floreiras, jardinagem, bancos para descanso, áreas para relaxamento)?

1

80%

80,0%

Bom

60%

60,0%

Regular

46

Há manutenção adequada dos espaços físicos da instituição?

1

80%

80,0%

Bom

60%

60,0%

Regular

 

Sub-total

13

100%

84,6%

Ótimo

72,2%

64,6%

Bom

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Nota-se no Quadro 04 um resultado positivo para ambas universidades, com destaque para a Univali que só apresentou resultados bom e ótimo.

Já a universidade URU apresentou apenas um resultado ótimo, sendo a questão 40, demonstrando que a universidade atende aos requisitos básicos, mas precisa adequar sua estrutura para atender aos acadêmicos portadores de deficiência, assim como ampliar e melhorar as salas de aula, o meio ambiente interno, e os outros serviços como lanchonetes, xerox e agências bancárias.

4.2.4 Critério 4 - Responsabilidade Social na Instituição

A universidade tem como compromisso difundir conhecimento, integrar a sociedade diante da responsabilidade social, que abrange diversos pontos como: inclusão social, proteção do meio ambiente, adoção de medidas socioambientais, conforme o Quadro 05. 

Quadro 05.
Responsabilidade social na instituição.

CRITÉRIO 4 – RESPONSABILIDADE SOCIAL NA INSTITUIÇÃO

Pontos Possíveis

Escore

Obtido

UNIVALI

URU

Sustentabilidade

Escore

Sustentabilidade

Resultado

Avaliação

Obtido

Resultado

Avaliação

47

Observa-se a responsabilidade social da instituição, considerada especialmente no que se refere à sua contribuição em relação à inclusão social, ao desenvolvimento econômico e social, à defesa do meio ambiente, da memória cultural, da produção artística e do patrimônio cultural?

2

80%

80,0%

Bom

60%

60,0%

Regular

48

Percebe-se coerência das ações de responsabilidade social com as políticas constantes dos documentos oficiais da instituição?

1

60%

60,0%

Regular

40%

40,0%

Fraco

49

Existe intensidade nas relações da IES com a sociedade, setor público, setor privado e mercado de trabalho?

2

80%

80,0%

Bom

80%

80,0%

Bom

50

Relações da IES com a sociedade: existem diretrizes e ações institucionais de inclusão social, adequadamente implantadas e com acompanhamento?

2

80%

80,0%

Bom

80%

80,0%

Bom

51

Relações da IES com a sociedade: existem ações de defesa do meio ambiente, da memória cultural, da produção artística e do patrimônio cultural, adequadamente implantadas e acompanhadas?

2

40%

40,0%

Fraco

40%

40,0%

Fraco

52

Existe coerência das ações de comunicação com a sociedade e com as políticas constantes dos documentos oficiais da instituição?

1

60%

60,0%

Regular

40%

40,0%

Fraco

53

Os canais de comunicação e sistemas de informação para a interação interna e externa funcionam adequadamente, são acessíveis às comunidades interna e externa e possibilitam a divulgação das ações da IES?

1

80%

80,0%

Bom

40%

40,0%

Fraco

54

A Ouvidoria está implantada, funciona segundo padrões de qualidade claramente estabelecidos, dispõe de pessoal e infra-estrutura adequados, e os seus registros e observações são efetivamente levados em consideração pelas instâncias acadêmicas e administrativas.

1

100%

100,0%

Ótimo

0%

0,0%

Péssimo

55

Existe sustentabilidade financeira, tendo em vista o significado social da continuidade dos compromissos na oferta da educação superior.

2

60%

60,0%

Regular

20%

20,0%

Péssimo

56

Há coerência da sustentabilidade financeira apresentada pela IES com o estabelecido em documentos oficiais.

1

100%

100,0%

Ótimo

60%

60,0%

Regular

57

Existe adequação entre a proposta de desenvolvimento da IES e o orçamento previsto, com controle das despesas efetivas, despesas correntes, de capital e de investimento?

1

100%

100,0%

Ótimo

40%

40,0%

Fraco

58

Existem políticas direcionadas à aplicação de recursos para programas de ensino, pesquisa e extensão para a aquisição de equipamentos e de expansão e/ou conservação do espaço físico?

2

100%

100,0%

Ótimo

40%

40,0%

Fraco

 

Sub-total

18

150%

76,7%

Bom

129%

47,8%

Regular

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

A responsabilidade social de uma Universidade tem sua relevância, com atitudes diante de um cenário de desenvolvimento sustentável e inclusão social. No Quadro 05 observa-se que a Univali atingiu um índice geral de 76,70% o que demonstra que há uma preocupação com a responsabilidade social, assim como previsão financeira para manter projetos que beneficiam a sociedade e ajudam os acadêmicos a colocar em prática o que aprenderam em sala de aula. Numa análise geral a Univali atende bem este critério, em algumas questões é 100% atendido, ressaltando que a questão 51 sobre ações de defesa ao meio ambiente ainda tem muito a melhorar.

No caso da URU no mesmo critério o índice geral ficou abaixo de 50%, atingindo na média geral 47,8%, o que demonstra que a universidade tem muito a evoluir, em todas as questões apresentadas somente em duas conseguiu resultado bom no que diz respeito a relação da universidade com a sociedade, setor público e mercado de trabalho assim como acompanhamento de atitudes de inclusão social.

4.2.5 Critério 5 - Gestão Estratégica da Instituição

Com base em um planejamento estratégico, realizado através de análises internas e externas do ambiente, identificam-se melhorias, que para se colocar em prática é necessária uma gestão estratégica determinante para que qualquer empreendimento se torne competitivo, conforme o Quadro 06.

Quadro 06.
Gestão estratégica da instituição.

CRITÉRIO 5 – GESTÃO ESTRATÉGICA DA INSTITUIÇÃO

Pontos Possíveis

Escore

Obtido

UNIVALI

URU

Sustentabilidade

Escore

Sustentabilidade

Resultado

Avaliação

Obtido

Resultado

Avaliação

59

A missão da instituição demonstra a sua preocupação com o meio ambiente?

1

60%

60,0%

Regular

40%

40,0%

Fraco

60

A preservação ambiental e o respeito as pessoas estão presentes nos princípios da instituição?

1

60%

60,0%

Regular

40%

40,0%

Fraco

61

Existe articulação entre o PDI e os processos de avaliação institucional com a utilização dos resultados da auto-avaliação como subsídios para o PDI?

1

60%

60,0%

Regular

60%

60,0%

Regular

62

Existem ações previstas no Plan. Estratégico relativas ao meio ambiente?

3

80%

80,0%

Bom

60%

60,0%

Regular

63

Existem ações previstas no Plan.Estratégico direcionadas a valorização das pessoas da organização?

3

80%

80,0%

Bom

60%

60,0%

Regular

64

A instituição possui plano diretor?

2

80%

80,0%

Bom

60%

60,0%

Regular

65

Nos projetos e obras são considerados itens como: conforto ergonômico, acessibilidade, iluminação natural?

3

100%

100,0%

Ótimo

80%

80,0%

Bom

66

Existe planejamento para otimização e o melhor aproveitamento do espaço físico de toda a instituição?

2

60%

60,0%

Regular

40%

40,0%

Fraco

 

Sub-total

16

200%

77,5%

Bom

160%

58,8%

Regular

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Com base no Quadro 06, percebe-se que no ambiente acadêmico a gestão estratégica também está presente, e a Univali tem buscado melhoria contínua, promovendo segurança financeira aos professores e melhoria no ambiente de estudos. Na questão 65 sobre projetos e obras, obteve resultado de 100% atendido, o que demonstra que a universidade tem grande preocupação com a acessibilidade de seus alunos.

Já a URU obteve resultado geral de 58,8% considerado regular. A universidade com apenas 39 anos de existência, consegue somente na questão 65 sobre projetos e obras, a avaliação bom. Numa visão geral a gestão estratégica é muito deficiente, considerado de fraco a regular, que numa universidade é preocupante, pois demonstra uma administração que tem muito a melhorar.

4.2.6 Critério 6 - Indicadores Gerenciais

Os indicadores gerenciais avaliam os efeitos das medidas tomadas, desta forma o aspecto interno das instituições reflete os resultados gerenciais das ações realizadas, conforme o Quadro 07.

Quadro 07.
Indicadores gerenciais

CRITÉRIO 6 – INDICADORES GERENCIAIS

Pontos Possíveis

Escore

Obtido

UNIVALI

URU

Sustentabilidade

Escore

Sustentabilidade

Resultado

Avaliação

Obtido

Resultado

Avaliação

67

O trabalho da instituição é monitorado por algum outro órgão estadual ou federal?

2

100%

100,0%

Ótimo

100%

100,0%

Ótimo

68

A instituição já obteve benefícios, premiação pela sua atuação na conscientização ambiental?

1

NA

0,0%

-

NA

0,0%

-

69

A instituição possui um Sistema de gestão Ambiental?

3

100%

100,0%

Ótimo

40%

40,0%

Fraco

70

São realizados investimentos sistemáticos em proteção ambiental?

2

40%

40,0%

Fraco

20%

20,0%

Péssimo

71

Existe alguma forma de controle dos investimentos e despesas realizados na proteção ambiental?

1

60%

60,0%

Regular

60%

60,0%

Regular

72

Existe aplicação financeira em projetos ambientais?

1

40%

40,0%

Fraco

40%

40,0%

Fraco

73

A instituição acredita que possa haver uma vantagem competitiva das empresas no mercado com a Gestão Ambiental?

1

100%

100,0%

Ótimo

100%

100,0%

Ótimo

74

A organização é ré em ação judicial referente à acidentes ambientais e/ou indenizações trabalhistas decorrentes?

3

NA

0,0%

-

NA

0,0%

-

75

Ocorreram acidentes ou incidentes ambientais no passado?

1

NA

0,0%

-

NA

0,0%

-

76

A eficiência de utilização de insumos e matérias primas é relativamente observada?

1

100%

100,0%

Ótimo

60%

60,0%

Regular

 

Sub-total

11

157%

80,0%

Bom

110%

56,4%

Regular

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Com base no Quadro 07, observou-se que há investimentos na área ambiental, porém, ainda são poucos, sendo o percentual na Univali fraco de 40% e a URU com 20%, ou seja, péssimo. É necessário que revejam as políticas de investimentos ambientais.

Apesar de não haver um grande investimento referente a ambientalização, as universidades possuem um sistema de gestão ambiental. Destaque para a Univali que se encontra com um percentual ótimo de 100%, enquanto a URU está com 40%, sendo este fraco.

Isto explica o resultado da questão 76, onde destaca-se que a Univali com resultado ótimo observa a utilização de insumos e matérias-primas, enquanto a URU atinge um percentual apenas regular, não observando com tanto critério a eficiência dos insumos e matérias-primas.

4.3 QUADRO GERAL

Diante dos 6 critérios mencionados, apresenta-se no Quadro 08 o resumo geral da aplicação da ferramenta SICOGEA nas universidades UNIVALI e URU. O quadro geral demonstra os dados de forma resumida, possibilitando a avaliação dos critérios de sustentabilidade como um todo.

Quadro 08.
Resumo geral universidades.

CRITÉRIOS

UNIVALI

URU

Sustentabilidade

Sustentabilidade

Resultado

Avaliação

Resultado

Avaliação

CRITÉRIO 1 – FORNECEDORES/COMPRAS

81,1%

Ótimo

65,6%

Bom

CRITÉRIO 2 – ECOEFICIÊNCIA DO PROCESSO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO

52,6%

Regular

44,9%

Regular

CRITÉRIO 3 – PRESTAÇÃO DO SERVIÇO - ATENDIMENTOS AO ACADÊMICO

84,6%

Ótimo

64,6%

Bom

CRITÉRIO 4 – RESPONSABILIDADE SOCIAL NA INSTITUIÇÃO

76,7%

Bom

47,8%

Regular

CRITÉRIO 5 – GESTÃO ESTRATÉGICA DA INSTITUIÇÃO

77,5%

Bom

58,8%

Regular

CRITÉRIO 6 – INDICADORES GERENCIAIS

80,0%

Bom

56,4%

Regular

Total Geral da Empresa

67,2%

Bom

52,2%

Regular

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Observa-se no Quadro 08 que a Univali na maioria dos critérios tem uma avaliação determinada como bom, enquanto a URU com percentual abaixo se encontra como regular. Destaca-se na Univali o critério 3 com maior relevância, atingindo um percentual de 84,6% apontando que a instituição presta um serviço de qualidade no atendimento ao acadêmico. Em contra partida a URU tem seu maior índice de 65,6% no critério 1, demonstrando a preocupação social na escolha de seus fornecedores.

No critério 2 ambas universidades obtiveram o pior índice, com resultado regular, identificando que não há prioridade com relação a ecoeficiência na prestação de serviços. 

Para auxiliar na interpretação do resultado, verifica-se o Quadro 01 que foi apresentado no item 4.2, e tem-se o desempenho ambiental da Univali: além da legislação, surgem alguns projetos e atitudes que buscam valorizar o meio ambiente, já a URU atende somente a legislação.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sustentabilidade ao contrário do que muitos pensam não se refere apenas ao meio ambiente, seu sentido é muito mais amplo e complexo. Está ligada a três pilares: social, econômico e ambiental. Ela não deve ser apenas uma estratégia de marketing, ela precisa fazer parte do planejamento das instituições e estar alinhada com os objetivos e as metas, para proporcionar a qualquer projeto a possibilidade de oferecer um impacto menor ao meio ambiente e às pessoas. Dessa forma, este trabalho teve como objetivo geral identificar a sustentabilidade da Univali e da URU por meio da ferramenta gerencial SICOGEA.

Neste sentido, buscou-se entender o conceito de sustentabilidade e da ferramenta SICOGEA, com base no referencial teórico, verificou-se os índices de desempenho ambiental, assim como analisou-se os resultados obtidos com a aplicação da lista de verificação SICOGEA, onde foi possível comparar as duas universidades pesquisadas.

Verificou-se muita deficiência em várias questões abordadas na pesquisa, com relação aos fornecedores/compras, destaca-se que os fornecedores são comprometidos com o meio ambiente, porém a universidade URU deixa a desejar no quesito das compras por eficiência energética.

ecoeficiência do processo de prestação de serviço obteve o pior desempenho, as universidades poderiam reduzir o consumo de água reaproveitando a água das chuvas, diminuir o consumo de energia comprando produtos adequados, destinar os resíduos da melhor maneira e criar estratégias para amenizar a grande concentração de veículos e pessoas na região. 

Na prestação de serviço – atendimento ao acadêmico a URU deve melhorar suas instalações, salas, laboratório, a realização de eventos e os serviços de apoio aos acadêmicos, é necessário reestruturar os serviços oferecidos.

Em relação a responsabilidade social constatou-se que a Univali tem um índice muito acima da URU, o que comprova a preocupação com a inclusão social e a integração de seus alunos, refletindo numa conscientização quanto a sua responsabilidade com a sociedade e o ambiente acadêmico.

Quanto a gestão estratégica pode-se concluir que a URU tem um plano diretor deficiente, o que reflete numa gestão estratégica abaixo do esperado, enquanto a Univali tem caminhado em busca da excelência nesse critério. Os indicadores gerenciais demonstraram pouco investimento na área ambiental nas duas universidades, todavia houve um resultado positivo no sistema de gestão ambiental das mesmas.

Pode-se concluir que o objetivo geral e os objetivos específicos deste estudo foram plenamente alcançados e não foram encontradas limitações neste estudo. Sugere-se para os trabalhos futuros a aplicação completa da lista de verificação do SICOGEA, com intuito de analisar a evolução das instituições pesquisadas e abordar os critérios não aplicadas neste estudo.

REFERÊNCIAS

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RICHARDSON, R. J. Pesquisa social: métodos e técnicas. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1989.

ROESCH, S. M. A. Projetos de estágio e de pesquisa em administração: guia para estágios, trabalhos de conclusão, dissertações e estudos de caso. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2005.

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SEIFFERT, M. E. B. Gestão ambiental: instrumentos, esferas de ação e educação ambiental. São Paulo: Atlas, 2007.

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Revista Metropolitana de Sustentabilidade - ISSN  2318-3233


 

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