Vol8N3_2.0_02

PERCEPÇÃO DOS CONSUMIDORES SOBRE PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS NO VAREJO: UMA ANÁLISE FATORIAL DOS CLIENTES DO SUPERMERCADO WALMART EM CAMPO GRANDE/MS

Arthur Caldeira Sanches 

Mestrado em Administração pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil.
Professor Assistente da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil.
E-mail: arthur.sanches@ufms.br

Naira Denise Kalb 

Mestrado em Administração pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil.
Professor Assistente A da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil.

Leonardo Francisco Figueiredo Neto 

Doutorado em Engenharia (Engenharia de Produção) pela Universidade de São Paulo, Brasil.
Professor Associado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil.

RESUMO

Um dos assuntos que vem ganhando destaque no ramo dos negócios é a gestão ambiental sustentável, em decorrência da preocupação cada vez maior com a escassez dos recursos naturais. Assim, a preocupação crescente em relação ao meio ambiente passa a se tornar obrigatória em missões empresariais e estratégias de gestão do meio ambiente. Certos consumidores necessitam de informações com mais precisão sobre os impactos causados pelos produtos ao meio ambiente. Como método utilizou-se a análise fatorial para se determinar quais fatores possuíam correlações significantes entre a gestão ambiental do Walmart da cidade de Campo Grande/MS e a percepção dos consumidores. Os resultados mostraram que, do conjunto de variáveis estudadas, obtém-se cinco fatores principais, sendo eles: percepção do consumidor, fornecedores, comunicação, ações internas e perfil. Destaca-se a observação no fator perfil de que a escolaridade influencia positivamente na percepção dos clientes sobre medidas ambientalmente sustentáveis adotadas pela empresa.

Palavras-chave: Gestão ambiental; análise fatorial; percepção dos consumidores.

CONSUMER PERCEPTION ON SUSTAINABLE PRACTICES AT RETAIL: A FACTORIAL ANALYSIS OF WALMART SUPERMARKET CLIENTS IN CAMPO GRANDE / MS

ABSTRACT

Nowadays, one of the issues that has come to prominence in business is sustainable environmental management, due to the increasing concern about the scarcity of natural resources. Thus, the growing concern about the environment shall become mandatory in trade missions and strategies of environmental management. Certain consumers need information more precisely the impacts caused by the product to the environment. As a method we used factor analysis to determine which factors had significant correlations between environmental management of Walmart the city of Campo Grande / MS and consumer perception. The findings showed that among all the variables, we obtain five main factors, namely: consumer perception, suppliers, communication, internal actions and profile. Noteworthy is the observation profile factor that schooling positively influences the perception of customers about environmentally sustainable measures adopted by the company.

Key worlds: Environmental management, factor analysis, consumer perception.

PERCEPCIÓN DE LOS CONSUMIDORES SOBRE PRÁCTICAS SOSTENIBLES EN EL ALCANCE: UN ANÁLISIS FACTUAL DE LOS CLIENTES DEL SUPERMERCADO WALMART EN CAMPO GRANDE / MS

RESUMEN

Uno de los asuntos que viene ganando destaque en el ramo de los negocios es la gestión ambiental sostenible, como consecuencia de la preocupación cada vez mayor con la escasez de los recursos naturales. Así, la preocupación creciente en relación al medio ambiente pasa a tornarse obligatoria en misiones empresariales y estrategias de gestión del medio ambiente. Algunos consumidores necesitan información con más precisión sobre los impactos causados por los productos al medio ambiente. Como método se utilizó el análisis factorial para determinar qué factores tenían correlaciones significativas entre la gestión ambiental del Walmart de la ciudad de Campo Grande / MS y la percepción de los consumidores. Los resultados mostraron que, del conjunto de variables estudiadas, se obtienen cinco factores principales, siendo ellos: percepción del consumidor, proveedores, comunicación, acciones internas y perfil. Se destaca la observación en el factor perfil de que la escolaridad influye positivamente en la percepción de los clientes sobre medidas ambientalmente sostenibles adoptadas por la empresa.

Palabras clave: Gestión ambiental; análisis factorial; percepción de los consumidores.

1 INTRODUÇÃO

Uma das discussões que mais vem ganhando força dentro das empresas diz respeito às práticas sustentáveis e como estas devem ser gerenciadas para que atendam, não somente às legislações vigentes (cada vez mais rígidas), mas também as pressões sofridas por intervenientes que se preocupam com a imagem da empresa, ONGs e, principalmente, as exigências dos consumidores finais.

De forma a tentarem uma posição de destaque no setor onde atual, as empresas criam estratégias que possam gerar vantagens competitivas para destacarem-nas frente às concorrentes. Contudo, as vantagens competitivas estão, muitas vezes, pautadas na percepção dos consumidores sobre as ações que determinada empresa realiza no decorrer de suas atividades. A questão principal que se forma aqui é, justamente, como identificar a relação existente entre as práticas de gestão ambiental adotadas e a percepção dos clientes a respeito destas. Diante deste cenário, se faz necessário um estudo a respeito da percepção dos consumidores a cerca das práticas sustentáveis adotadas pelas empresas, focando sempre no retorno esperado por estas sobre seu capital investido.

Outro ponto a ser abordado pelas empresas no quesito de sustentabilidade e práticas de gestão ambiental é o grau de avaliação positiva ou negativa com que estas podem ser julgadas quanto à forma como a empresa participa na resolução de questões de sustentabilidade, determinando, em medidas largas, sua viabilidade em longo prazo.

Observando o objetivo de entender os consumidores e atender suas necessidades e anseios com cada vez mais profundidade, a SuperHiper (2011), revista oficial do setor de supermercados no país, afirma novamente que o futuro do varejo está em entender o perfil do consumidor, identificando seus anseios, hábitos e características. Assim, os varejistas de sucesso serão aqueles que conseguirem traduzir tais expectativas identificadas em estratégias, considerando as oportunidades que surgem no mercado.

Aquilo que os consumidores pensam e acreditam sobre as marcas que compram, é o que determina o sucesso que esta terá no mercado. Dessa forma, as empresas que trabalham com poucas informações sobre os clientes não possuem grandes expectativas sobre suas ações voltadas às marcas, e podem, inclusive, correr riscos de não conseguir manter seus negócios a médio e longo prazo (SUPERHIPER, 2011).

Vários são os benefícios trazidos pela pesquisa sobre o comportamento do consumidor, como o crescimento da própria teoria em questão, a compreensão expandida das teorias do marketing e a influencia gerada em questões de políticas públicas e governamentais (MOWEN & MINOR, 2002). Referente a isso, Stern (1999, p. 461) explica que a alteração no comportamento dos consumidores tem a capacidade de fazer uma diferença grande ao meio ambiente, e um meio de se realizar isso é através das pesquisas que expõem o comportamento do consumidor, ajudando na formulação de políticas e no entendimento desse comportamento, na busca de uma melhor maneira de influenciá-lo.

O presente trabalho contribui para o tema por auxiliar na interpretação da percepção dos consumidores do varejo sobre as práticas sustentáveis adotadas por estes, buscando identificar quais ações regram maior retorno aos supermercados. Sendo assim, o objetivo geral do trabalho em questão é identificar fatores que correlacionem ações sustentáveis praticados pelo varejista Walmart e a percepção de seus consumidores sobre tais atividades e, especificamente pretende-se conceituar práticas sustentáveis, identificar ações de gestão ambiental praticadas pelo varejista estudado (supermercado Walmart) e analisar as relações entre as práticas realizadas e a percepção dos consumidores.

Este artigo se encontra organizado em cinco partes distintas. Inicialmente, fez-se a introdução ao tema abordado, em seguida serão apresentadas as discussões que já estão sendo desenvolvidas a respeito da sustentabilidade e percepção dos consumidores, com o intuito de se criar um embasamento teórico. Posteriormente será apresentada a metodologia do trabalho, assim como as estatísticas utilizadas para a formulação dos cálculos e geração dos dados trabalhados. A quarta parte é composta pela apresentação dos dados, obtidos após a análise fatorial, assim como a interpretação de tais dados para gerar um entendimento mais amplo do contexto. Por fim, a quinta parte apresentará a conclusão do estudo, expondo os pensamentos finais gerados a partir de toda pesquisa previamente conduzida.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 Gestão Ambiental Empresarial

Para Farah (2006) o desequilíbrio ecológico vem gerando efeitos, provocados pela industrialização, que crescem constantemente, e passam a ter efeitos negativos na cadeia de distribuição como um todo, desde a matéria-prima até a produção dos bens e distribuição destes ao consumidor final.

Dessa forma, o desejo de um planeta habitável é aceito de forma plena, contudo, com o surgimento de regulamentações nesse contexto, inicia-se um confronto afirmando que a competitividade pode ser contrariada por essa diretriz, de modo a, inclusive, inviabilizar negócios que sejam lucrativos. Como pode ser visto em polêmica semelhante ocorrida na década de 80, quando a qualidade passou a ser discutida no mundo dos negócios, sendo tida como um fator certo de aumento de custos. Pouco depois, por volta de 1990, a inovação passou a ser vista como um ponto positivo nos negócios, capaz de elevar a competitividade, deixando a imagem de restrição atribuída anteriormente (PORTER, 1999).

No Brasil, o crescimento da preocupação ambiental no meio empresarial é resultado da influência gerada por três conjuntos principais de forças, sendo eles: governo, mercado e sociedade civil organizada (BARBIERI, 2007). Assim, segundo Tachizawa e Andrade (2008), as empresas criam soluções para alcançarem o desenvolvimento sustentável ao mesmo tempo em que aumentam a lucratividade de seus negócios, tendo como exigências gestores ambientais que estejam preparados para suportarem tais demandas e que estejam aptos a conciliar os objetivos econômicos da organização com questão de natureza ambiental.

Seguindo as definições propostas por autores como Barbieri (2007) e Epelbaum (2004) a gestão ambiental é compreendida como ações realizadas por empresas, de forma administrativa ou operacional, que visam diminuir o impacto ambiental proporcionado por suas atividades ao meio ambiente, como também promover efeitos positivos a este.

2.2 Oportunidades do Varejo

O varejo consiste em todas as atividades que englobam o processo de serviços e vendas a um consumidor final (PARENTE, 2000). Dias (2003) afirma que o papel do varejista é de intermediação, uma vez que este é responsável pela venda aos consumidores finais. Dessa forma, qualquer empresa que venda produtos ou preste serviços ao consumidor final para uso, tanto pessoal quanto doméstico, desempenha a função de varejo.

Estimular o consumo tem sido o principal foco do varejo, assim o varejista busca fazer com que as pessoas comprem mais e com maior frequência. Existindo a percepção de que o volume de consumo, do consumidor consciente, deve ser reduzido para que a sustentabilidade seja atingida, surge então um contraponto entre os objetivos do varejo e os preceitos de sustentabilidade. Dessa forma, desde a década de 1990, um desafio entre as questões ambientais e os critérios de avaliação de vantagem competitiva tradicionais surge. Contudo, a gestão ambiental vem buscando expandir o escopo de tais vantagens tão buscadas entre as empresas (VACHON & KLASSEN, 2006).

A preocupação e sensibilidade crescente em relação ao meio ambiente passam a se tornar obrigatórios em declarações de missões empresariais e nas estratégias de gestão do meio ambiente, passando a fazer parte da reflexão empresarial, principalmente das empresas líderes e com excelência em seus setores. Certos consumidores necessitam de informações com mais precisão sobre os impactos causados pelos produtos e processos ao meio ambiente (LEITE, 2000).

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD, 1998, p. 65) afirma que o “consumo sustentável não é uma quantidade específica entre o baixo consumo causado pela pobreza e o elevado consumo gerado pela riqueza, mas um padrão de consumo bem diferente para todos os níveis de renda pessoal em países do mundo todo”, de forma que:

O conceito de consumo sustentável compreende toda a gama de produtos e serviços da sociedade em geral, os processos que os produzem e o consumo e a manufatura de muitos produtos colaterais e dependentes que o uso de um único produto ou o fornecimento de serviços implica. Por exemplo, a utilização do automóvel compreende todos os impactos ambientais durante a produção e o uso do próprio carro. Também implica a produção e o uso de petróleo, a construção de estradas, o uso do solo para estacionamentos e os congestionamentos (PNUD, 1998).

Existem diversas estratégias disponíveis que visam modificar o comportamento do consumidor de uma maneira que seja significativa para o meio ambiente, oferecendo benefícios tecnológicos, financeiros, materiais, e mudanças nas atitudes e crenças através de programas educacionais e de informações (STERN, 1999).

Como exemplo da mudança de comportamento e pensamento dos consumidores no que tange a responsabilidade ambiental, Barbieri (2007) discorre a respeito dos chamados “selos verdes”, os quais indicam o aumento da conscientização popular a respeito dos problemas ambientais, assim como apontam para uma contribuição para o desenvolvimento de padrões novos de produção e consumo. Tais selos, também chamados de rótulos verdes, indicam atributos ambientais a produtos ou serviços que são comunicados diretamente ao consumidor, visando atrair aqueles que dão maior valor à biodegradabilidade, eficiência energética, retornabilidade e percentual de material reciclado no processo. A idoneidade da informação de rotulagem é feita por forma de uma certificação obtida em um procedimento voluntário onde outra organização assegura através de rotulagem ou documento que o produto, processo ou serviço cumpre determinadas exigências ambientais, dando garantias ao consumidor (DIAS, 2008).

Técnicas utilizadas para aumentar a produtividade também podem ser entendidas como instrumentos implícitos de gestão ambiental, uma vez que parte das discussões a respeito dos problemas ambientais são referentes ao uso de matérias primas e recursos naturais. Dessa forma, reduzir o consumo de energia utilizada, reaproveitar materiais, realizar manutenção preventiva, e evitar retrabalhos e perdas de matérias são prática empresariais que favorecem o meio ambiente (BARBIERI, 2007).

Plambeck (2007) realizou um estudo que indicou uma melhoria de 25% na eficiência de combustível, com economia anual de quase 75 milhões de dólares e redução de 400 mil toneladas de emissão de dióxido de carbono por ano, por parte da rede Walmart, através de planejamentos logísticos realizados.

2.3 Percepção do consumidor sobre práticas sustentáveis

O valor que é percebido pelo consumidor em uma oferta é resultado da comparação entre os benefícios que percebe obter na troca com a empresa e o sacrifício percebido, sejam esses monetários ou não, como necessário para a obtenção de benefícios (RAVALD & GRONROOS, 1996; ZEITHAML, 1988). Embora muitas definições de valor tem usado a qualidade como único componente do benefícios percebido, o consumidor considera também outros fatores relevantes, os quais podem ser mais abstratos e subjetivos, como benefícios emocionais que a realização de determinada compra pode trazer àquela pessoa (CHURCHILL, 2000; ZEITHAML, 1988). Assim, uma postura ambientalmente correta, por parte da empresa, pode ser considerada um benefício por parte dos consumidores, de forma a agregar valor aos produtos. Contudo, tais benefícios decorrentes dessas novas ações devem ser percebidos.

No contexto da responsabilidade ambiental, os fatores situacionais e pessoais são os determinantes na percepção individual e avaliação dos benefícios e custos. Esses fatores se apresentam como grau de consciência ecológica, conhecimento dos processos ecológicos, disponibilidade de renda, influência de grupos primários (família e amigos) e a situação de compra em si (DIAS, 2008).

O chamado consumidor verde é, pela definição descrita por Portilho (2005), aquele que, além das variáveis preço e qualidade, inclui em seu processo de escolha também a variável ambiental, optando, geralmente, por aqueles produtos que não agridam o meio ambiente, inserindo-se, em parte, no conceito de consumo sustentável.

Entretanto, o conceito de consumo verde possui algumas limitações próprias, deixando de lado aspectos importantes como descarte e obsolescência planejada, redução de consumo, uso de tecnologias limpas, o destaque à reciclagem, e a redução do desperdício. Assim, o consumo verde pode ser mais nitidamente definido como uma subdivisão do consumo sustentável, o qual possui uma maior amplitude (PORTILHO, 2005).

Furriela (2001) diz que é necessário que o consumidor crie consciência das implicações de seus atos de consumo, passando a entender que está em seu alcance exigir que as dimensões ecológicas, culturais e sociais passem a serem consideradas pelo setor produtivo, comercial e financeiro em seus modelos de produção, gestão, financiamento e comercialização. Tal atitude exige mudanças não apenas no comportamento e postura individual, mas também coletiva, no cotidiano.

O consumidor intitulado consciente tende a disseminar o conceito e prática de consumo consciente, buscando que pequenos gestos realizados por diversas pessoas possam ocasionar transformações de grande impacto. É uma forma de contribuição voluntária, solidária e cotidiana que possibilita garantir a sustentabilidade da vida no planeta (INSTITUTO AKATU, 2008).

3 Procedimentos Metodológicos

O estudo em questão pode ser caracterizado como descritivo exploratório, tendo como técnica utilizada um estudo de caso. O estudo exploratório possui importância quando não existem muitos estudos realizados a respeito de determinado tema, ou mesmo quando a literatura disponível não é vasta. Tal conceito é confirmando na pesquisa apresentada pelo relacionamento de práticas ambientais efetivas de um varejista e a percepção de seus consumidores.

A empresa escolhida para o estudo de caso foi o varejista de alimentos Walmart pelo motivo de ser a maior rede de supermercados no mundo, fazendo com que suas ações tenham influencia em todos os agentes das cadeias agro alimentares. Soma-se a isso o fato de ser um caso exemplar no objetivo de estudo, em relação à gestão ambiental empresarial, sendo caracterizada como tal por Yin (2010) uma vez que apresenta evidências de forma mais relevante, eficaz e criteriosa, uma vez que tenha sido eleita pelo Guia Exame de Sustentabilidade (2009) como a empresa sustentável do ano.

O estudo dos consumidores foi conduzido na cidade de Campo Grande, no estado de Mato Grosso do Sul, considerando como população a ser estudada os clientes que frequentam a loja Walmart nesta cidade. O questionário foi aplicado a uma amostra probabilística de consumidores do supermercado no período de 15 de dezembro de 2012 a 15 de janeiro de 2013, nos horários compreendidos entre 08 às 22 horas. Considerando a população como finita, a amostra, com nível de confiabilidade de 95%, e erro padrão de 5% seria de 385 pessoas, conforme apresentado na fórmula a seguir. Como forma de garantir a margem de segurança foram aplicados 404 questionários, sendo 4,93% a mais que o sugerido pela amostra (ANDERSON et al., 2011).

(1)

n=(1.96/0,05)2.0.5*0.5=385

Em que:

  • n = Número de indivíduos na amostra
  • Z = Valor crítico que corresponde ao grau de confiança desejado.
  • p = Proporção populacional de indivíduos que pertence a categoria que estamos interessados em estudar.
  • q = Proporção populacional de indivíduos que NÃO pertence à categoria que estamos interessados em estudar (q = 1 – p).
  • e = Margem de erro ou erro máximo de estimativa. Identifica a diferença máxima entre a proporção amostral e a verdadeira proporção populacional.

Para a técnica de Análise Fatorial foi utilizado o software Minitab 15.0, respondendo ao objetivo da pesquisa: verificar a percepção do consumidor quanto às ações de gestão ambiental praticadas pelo Walmart.

Com o intuito de resumir o conjunto de dados quantitativos obtidos, foi realizada uma análise fatorial R, a qual, segundo Hair et al. (2005, p. 90) “analisa relações entre variáveis para identificar grupos de variáveis que formam dimensões latentes (fatores)”, buscando correlacionar as variáveis formando grupos, tanto com o objetivo de compreender o relacionamento entre elas, como também de reduzir a quantidade de dados, facilitando seu entendimento.

De forma geral, o modelo de análise fatorial é expresso pela fórmula:

(2)

No qual X se apresenta como um vetor das variáveis originais; F como um vetor dos fatores comuns; A como uma matriz (pxr) das chamadas cargas fatoriais (factor loadings); ɛ é o vetor de fatores específicos mais o erro; sendo r (número de fatores) < p (número de variáveis).

O teste Raiz latente, juntamente com o teste Scree foram utilizados para selecionar a quantidade ideal de fatores. Para Hair et al. (2005), o primeiro determina que fatores cujos valores de Raiz latente sejam maiores do que 1 devem ser selecionados. Já o teste Scree é feito através da análise gráfica das raízes latentes e consiste em observar o ponto em que o gráfico começa a ficar horizontal, a partir desse ponto deve-se parar de extrair fatores.

Depois de selecionado a quantidade de fatores, foi utilizada a técnica de rotação ortogonal VARIMAX a qual distribui as cargas fatoriais entre os fatores selecionados. Tal técnica consiste em girar os eixos dos fatores em torno da origem “até que alguma outra posição seja alcançada” Hair et al. (2005, p. 103) fazendo com que as cargas fatoriais das variáveis sejam significantes em apenas um fator.

O procedimento denominado VARIMAX seleciona a transformação ortogonal T que maximize V, assim sua fórmula é descrita como:

(3)

Onde se caracteriza como a raiz quadrada da comunalidade. O que corresponde à maximização de V é o “puxar” dos quadrados das cargas sobre cada fator o Maximo que for possível, esperando se encontrar grupos definidos de coeficientes para cada coluna de fator.

Uma vez selecionados os fatores, foi criada uma nova variável (escalas múltiplas) para cada fator, utilizando a média aritmética das variáveis explicadas por tal fator (Hair et al., 2005). Buscando verificar a consistência interna do modelo, foi utilizado o Alfa de Cronbach, uma “medida de confiabilidade que varia de 0 a 1, sendo de 0,6 a 0,7 considerados como limite inferior de aceitabilidade” conforme Hair et al. (2005, p. 90). Esse procedimento tem como objetivo confirmar a representatividade das novas variáveis em relação aos dados originais.

A partir das informações obtidas através de consulta ao relatório de sustentabilidade o Walmart, amparada pela revisão teórica, foi realizado um questionário estruturado que relaciona as ações propostas, resultados obtidos pela empresa, percepção do consumidor e seu nível de consciência ambiental, sendo, dessa forma, apresentadas as dimensões e variáveis do questionário no Quadro 1.

Quadro 1.
Dimensões e variáveis do questionário

DIMENSÕES

PRINCIPAIS VARIÁVEIS

Perfil sócio demográfico

Sexo; Idade; Grau de instrução; Renda; Estado Civil; Hábitos de mídia

Grau de consciência ambiental

Indiferente; Iniciante; Crítico; Consciente

Percepção das ações internas

Consumo água; Consumo de energia; Tratamento de esgoto; Destinação adequada de resíduos

Percepção das ações externas – fornecedores

Fornecedores locais; ações de fornecedores; parcerias para ações ambientais entre empresa e fornecedores

Percepção das ações externas – consumidores

Uso de sacolas plásticas; Coleta de óleo/pilhas/sucatas de eletrônicos; produtos orgânicos; preços de produtos verdes; hábitos de consumo;

Percepção da comunicação da empresa

Divulgação das ações ambientais; Imagem da empresa; Confiabilidade da comunicação;

Percepção das responsabilidades e influências sofridas

Renda x consumo consciente; influência de grupos primários no comportamento de consumo; responsável pelo controle do consumo excessivo

Fonte: Elaborada pelos autores.

As variáveis “sexo” e “estado civil” foram trabalhadas de forma dicotômica (0 e 1), onde, para a primeira zero indica indivíduo do sexo masculino e 1 indica individuo do sexo feminino, dessa forma, através dos cálculos, pode-se notar que a maior parte dos entrevistados foram homens, contudo a diferença não foi de grande significância, uma vez que as mulheres somaram quase 49% das respondentes. Da mesma forma, a variável “estado civil” foi trabalhada de forma que “zero” significasse solteiro e “um” significasse casado. Com isso, a amostra se caracterizou por possuir quase 80% de casos de pessoas solteiras.

A média de idade dos respondentes foi de 34 anos, variando entre 12 e 73 anos. Já o grau de escolaridade foi dividido em: fundamental, ensino médio, superior incompleto, superior completo e pós-graduação. Assim, observamos que a maioria dos entrevistados possui ensino superior incompleto (27,22%), e que a renda média dessa amostra utilizada para o estudo se manteve entre 6 e 7 salários mínimos (25,24%).

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

As variáveis escolhidas para serem trabalhadas na análise fatorial foram 10, identificadas na Tabela 1 que expõe a estatística descritiva das mesmas, apontando número de observações, média, desvio padrão valores mínimos e máximos.

Todas as variáveis expressas, excluindo grau de instrução, foram divididas entre três tipos de respostas, sendo elas: sim, não e “não sabe” (1,2 e 3 respectivamente). Com isso, no que tange as variáveis 36 (sacolas plásticas biodegradáveis), 37 (coleta de pilhas, óleos e sucatas), 40 (informações sobre o impacto ambiental dos hábitos de consumo), e 29 (tratamento de esgoto), pode-se observar que a maior parte dos consumidores entrevistados não possui percepção da realização de tais atividades pelo supermercado Walmart, uma vez que suas médias de respostas se aproximam mais do segundo valor.

Tabela 1.
Estatística Descritiva das Variáveis.

Variável

Observações

Média

Desvio Padrão

Mínimo

Máximo

36- Sacolas plásticas biodegradáveis

404

1,776675

0,606558

1

3

37- Coleta de óleo/pilhas/sucatas de eletrônicos

404

1,791045

0,628595

1

3

40- Informação sobre o impacto ambiental dos hábitos de consumo

404

1,714640

0,594719

1

3

34- Preocupação com as ações de fornecedores

404

1,403465

0,566289

1

3

35- Parcerias para ações ambientais entre empresa e fornecedores

404

1,368812

0,572416

1

3

42- Imagem da empresa

404

1,478697

0,552675

1

3

44- Confiabilidade da comunicação

404

1,358911

0,552365

1

3

29- Tratamento de esgoto

404

1,606436

0,568886

1

3

32- Coleta seletiva de lixo

404

1,482673

0,569878

1

3

3- Grau de instrução

401

3,000000

1,122497

1

5

Fonte: Elaborada pelos autores

Já as demais ações sustentáveis praticadas pelo supermercado, como 34 (preocupação com a ação dos fornecedores), 35 (parcerias para ações ambientais), 42 (imagem da empresa), 44 (confiabilidade da comunicação) e 32 (coleta seletiva de lixo) obtiveram resposta positiva na percepção de seus clientes na maior parte das vezes.

Através do objetivo da pesquisa de se realizar uma análise fatorial com o intuito de se diminuir as variáveis encontradas em um número menos de fatores, o estudo, com base nos critérios da Raiz Latente, juntamente com o teste Scree (HAIR et al., 2005), observou que os fatores deveriam ser cinco, conforme mostrado na tabela 1.

Os resultados obtidos são capazes de explicar 76,1% da variância total (Tabela 2), o que, segundo Hair et al (2005) se constitui de um valor aceitável para pesquisas que não se encontrem dentro das ciências exatas. Entretanto, durante a realização das análises, fez-se necessária a retirada de algumas das variáveis (28, 30, 31, 33, 38, 39, 41, 43, 45, 46, 47, 48) em função de não possuir 50% de suas variâncias explicadas pelos fatores propostos, ou por apresentarem altas cargas fatoriais para mais de um fator, podendo tornar os resultados questionáveis (HAIR et al., 2005).

Tabela 2.
Grau de explicação dos fatores

Fatores

Raízes Características (ʎ)

Diferença

Proporção

Cumulativo

1

3,45232

2,06875

34,52%

34,52%

2

1,38357

0,35215

13,84%

48,36%

3

1,03142

0,1308

10,31%

58,67%

4

0,90062

0,05775

9,01%

67,68%

5

0,84287

0,23994

8,43%

76,11%

6

0,60293

0,05437

6,03%

82,14%

7

0,54856

0,07126

5,49%

87,63%

8

0,47729

0,03409

4,77%

92,40%

9

0,44321

0,126

4,43%

96,83%

10

0,31721

-

3,17%

100,00%

Fonte: Elaborado pelos autores.

Posteriormente se criou escalas múltiplas com base nas médias aritméticas das variáveis de cada um dos fatores e avaliadas com o Alfa de Cronbach, em razão de todos os fatores apresentaram valores superiores a 0,80, conforme recomendado por Hair et al (2005). Assim, a utilização da análise fatorial no estudo em questão objetivou melhorar a análise das variáveis caracterizadas como mais relevantes.

Foram identificados cinco fatores, através das análises realizadas, que correlacionam ações ambientalmente sustentáveis praticadas pelo supermercado e a percepção dos consumidores.

Tabela 3.
Análise Fatorial

Variável

 

 

Fator 3

Fator 4

Fator 5

Fator 1

Fator 2

 

 

Percepção do Consumidor

Fornecedores

Comunicação

Ações Internas

Perfil

36- Sacolas plásticas biodegradáveis

0,8

0,09

0,09

0,08

-0,01

37- Coleta de óleo/pilhas/sucatas de eletrônicos

0,76

0,1

0,13

0,13

0,1

40- Informação sobre o impacto ambiental dos hábitos de consumo

0,74

0,07

0,3

0,05

-0,05

34- Preocupação com as ações de fornecedores

0,1

0,86

0,17

0,18

-0,03

35- Parcerias para ações ambientais entre empresa e fornecedores

0,13

0,88

0,13

0,14

-0,01

42- Imagem da empresa

0,27

0,16

0,77

0,12

0,03

44- Confiabilidade da comunicação

0,16

0,14

0,85

0,1

-0,05

29- Tratamento de esgoto

0,05

0,07

0,13

0,86

0,04

32- Coleta seletiva de lixo

0,19

0,26

0,07

0,74

-0,05

3- Grau de instrução

-0,03

0,04

0,01

0

-0,99

Fonte: Dados da pesquisa

Os fatores encontrados foram:

  • Fator 1 – Percepção do Consumidor – ações que estão diretamente ligadas ao consumidor, como o fornecimento de sacolas plásticas biodegradáveis, local para a coleta de materiais (como pilhas, sucata de eletrônicos e óleo de cozinha usado) e informações sobre o impacto ambiental gerado pelos hábitos de consumo.
  • Fator 2 – Fornecedores – ações de pressão/influência ou parceria com fornecedores com foco na gestão ambiental.
  • Fator 3 – Comunicação – credibilidade da imagem da marca e confiabilidade das informações que são disponibilizadas aos consumidores, no que tange as ações de gestão ambiental exercidas pela empresa.
  • Fator 4 – Ações Internas – voltadas à gestão ambiental dos resíduos produzidos pela própria empresa, garantindo a redução, tratamento e destinação correta.
  • Fator 5 – Perfil – relacionado à escolaridade do consumidor.

Os cinco fatores identificados acima, como exposto anteriormente, explicam 76,1% da variância total da amostra (Tabela 2), no que abrange a percepção dos consumidores quanto às prática ambientais sustentáveis realizadas pelo Walmart. Os resultados apontam que estes são os fatores e ações específicas mais percebidas e, dessa forma, mais valorizadas pelo consumidor. Quanto ao perfil destes, o aumento na escolaridade indica uma maior percepção sobre as ações ambientais praticadas no varejo.

Os valores em negrito foram destacados na tabela para poder identificar quais indicadores estão mais fortemente relacionados com os fatores expressos na análise. Com isso podemos observar que as variáveis mais influentes no fator que abrange a percepção dos consumidores são: uso de sacolas biodegradáveis, coleta de óleos, pilhas e sucatas eletrônicas e informações a respeito do impacto ambiental causado pelos hábitos de consumo. Para o segundo fator (fornecedores) o que mais gera influência são as preocupações com a escolha de fornecedores e ações ambientais que a empresa busque realizar junto a estes. A confiabilidade da comunicação e a imagem da empresa são as variáveis mais importantes na análise do fator 3, que se pauta na comunicação realizada pelo supermercado. Para o fator 4 que abrange as ações interna da empresa, os pontos de maior destaque, e que estão mais fortemente ligados à percepção de práticas sustentáveis pelos consumidores foram a coleta seletiva de lixo e o tratamento de esgoto. O perfil do consumidor (fator 5) tem grande ligação com o grau de escolaridade dos mesmos.

Além de apontar uma preocupação por parte do consumidor com a gestão interna eficiente do setor de varejo, ao se relacionar os resultados encontrados com as oportunidades e responsabilidades presentes no setor, preconizadas pela literatura, pode-se verificar a convergência da percepção dos consumidores com o papel modificador no varejo na cadeia de valor agroalimentar, uma vez que se considere sua possibilidade de forte interação com os demais elos da cadeia, aos quais pode ser criado um estimulo e influência à adoção de práticas ambientalmente sustentáveis, através da realização de parcerias com seus fornecedores para que se crie uma adequação nos processos de produção, distribuição e comercialização dos produtos, buscando, consequentemente, disponibilizar bens que gerem menos impacto ambiental, além de educar e conscientizar seus consumidores a respeito do consumo e descarte pós-consumo.

A interação relatada anteriormente fica mais facilmente evidenciada ao se observar a Figura 1 abaixo:

Figura 1. Conexão das Cadeias de Valor do Varejo
Fonte: GVcev - 5º Seminário de Responsabilidade Social no Varejo, 2007.

Nesta pode-se visualizar a cadeia logística verde, reversa e de suprimentos com ciclos fechados (ROGERS & TIBBEN-LEMBKE, 2001), onde o principal objetivo é a minimização dos danos ambientais através da gestão de frente e verso dos movimentos físicos de mercadorias entre o varejo e seus fornecedores, por meio da substituição de produtos químicos por outros que gerem menos resíduos, ou que possuam uma disposição final adequada, bem como a reutilização de produtos e seus componentes, processo no qual se insere o pós-consumo, a partir da coleta de materiais no varejo, como óleo usado, pilhas, baterias e sucata de produtos eletrônicos.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como visto na revisão das literaturas, o tema a respeito da sustentabilidade ambiental vem ganhando destaque nos últimos anos em razão da crescente preocupação com a escassez dos recursos naturais no planeta, assim como o esclarecimento de que as gerações futuras também precisarão destes para crescerem e se desenvolverem economicamente.

Com base nessa mudança de pensamento que vem se instalando nos últimos anos, as empresas estão buscando novas formas de gestão que estejam diretamente ligadas com a responsabilidade sócio ambiental demandada pela população e consumidores, que, a cada dia que passa, estão se tornando mais críticos e seletivos em suas buscas por produtos e empresas que atentem para os impactos que causam no ambiente que os cercam.

Dessa forma, se fazem necessários estudos que busquem entender melhor a percepção dos consumidores sobre as práticas e ações ambientalmente sustentáveis que as empresas empregam no decorrer de suas atividades, tendo em vista que estas fazendo investimentos em tais processos atentando para a imagem de suas marcas e a criação de uma maior atratividade de clientes uma vez que estes percebam seus esforços. Assim como um entendimento do que surte efeito nos consumidores e o que não surte, atentando para uma gestão ambiental sustentável mais eficiente no ambiente de negócios.

Com a pesquisa realizada, foram observadas algumas variáveis a respeito das ações de gestão ambiental que o supermercado Walmart, na cidade de Campo Grande/MS, adotava e, posteriormente, com a utilização dos cálculos fatoriais se fez uma análise de quais fatores correlacionavam de forma significativa a percepção dos consumidores do varejo com as práticas adotadas pela empresa. Com isso foram identificados cinco fatores principais, sendo eles: percepção do consumidor, fornecedores, comunicação, ações internas e perfil.

Tais fatores explicitaram a ações que são adotadas pelo Walmart e possuem correlação entre a percepção dos consumidores e uma gestão ambientalmente sustentável. O fator de percepção dos consumidores apontou ações que estão diretamente ligadas a estes, como coleta seletiva de lixo e a disponibilização de sacolas plásticas biologicamente degradáveis. O fator de fornecedores focou em ações de pressão/influência ou parceria para em prol da gestão sustentável. Já o voltado à comunicação associou a credibilidade que a marca possui e a credibilidade das informações que são disponibilizadas aos clientes. As ações internas se referem à gestão dos resíduos gerados no decorrer dos processos, assim como a destinação destes e se recebem algum tipo de tratamento. Por fim, o perfil indicou que quanto maior a escolaridades dos consumidores, maior a percepção destes a respeito de quaisquer práticas adotadas pela empresa em prol da sustentabilidade ambiental.s

Dessa maneira conclui-se que, de todas as variáveis apresentadas durante o estudo, apenas as citadas dentre o conjunto de fatores extraídos da análise fatorial mostram uma correlação significante entre as ações de gestão ambientalmente sustentável e a percepção dos consumidores. O primeiro fator sobre percepção dos consumidores destacou as ações da empresa que atingem diretamente os clientes, como uso de sacolas biodegradáveis,coleta de pilhas e óleos e disponibilidade de informações a respeito dos impactos ambientais gerados pelo consumo. O fator dois, sobre fornecedores mostrou possui maior destaque nas ações que o supermercado realisa com seus fornecedores, assim como sua seleção dos mesmos. O terceiro fator sobre comunicação destaca a variável sobre imagem da empresa e suas informações disponibilizadas. Por fim, o quarto e quinto fatores (ações internas e perfil do consumidor) mostraram maior importância nas variáveis que abrangeram coleta seletiva/tratamento de esgoto e grau de escolaridade, respectivamente. Em posse desses dados as empresas poderão identificar melhor como agir para obter uma gestão ambiental eficiente em suas lojas que atuem no setor do varejo.

Observando o principal foco do estudo, que foi a percepção dos consumidores do Walmart da cidade de Campo Grande/MS, sobre as práticas sustentáveis desenvolvidas por este, nota-se uma percepção reduzida dos clientes de tais ações, sendo consideradas apenas aquelas que possuem algum impacto direto sobre as atividades diárias de quem compra no supermercado. Assim, no que tange a percepção dos consumidores sobre as práticas sustentáveis, o supermercado Walmart deve atentar para projetos que influenciem os consumidores de forma não indireta, uma vez que para a percepção destas deve-se esperar um nível de interesse e busca sobre informações por parte dos clientes que não vem ocorrendo na atualidade.

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Revista Metropolitana de Sustentabilidade - ISSN  2318-3233


 

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